Fazer o certo é a senha que nos conecta às virtudes mais elevadas, ao contrário do caminho mais fácil das indelicadezas - o correto nem sempre é o indolor, mas ainda assim não deixa de ser o correto.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
aos gostos
Encaro Agosto como o mês dos sabores, como a passagem dos dissabores através dos lábios, dos olhos, dos ouvidos e dos sonhos, através dos medos e das descobertas. Inexplicável é ver que as certezas são inquebráveis, ainda que em meio ao mistério, por mais que o tempo passe. Mesmo que as coisas mudem, não se apaga a intuição. Sei que são de ouro as chaves que guardo, sei que são de nuvem os devidos cadeados. Sei que são fechaduras sinceras. Guardo tudo com toda a fé do amanhã, não se sabe por qual razão, mas sei que o vento é frio porque há o agasalho e que, não obstante, logo vem a primavera, como mudam os meses do ano.
Fazer o certo é a senha que nos conecta às virtudes mais elevadas, ao contrário do caminho mais fácil das indelicadezas - o correto nem sempre é o indolor, mas ainda assim não deixa de ser o correto.
Fazer o certo é a senha que nos conecta às virtudes mais elevadas, ao contrário do caminho mais fácil das indelicadezas - o correto nem sempre é o indolor, mas ainda assim não deixa de ser o correto.
Jamais me esqueço do tempo, até que o mistério se ilumine. E depois de tudo, descansar, sem medo.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
black hole sun
A covardia é o pior dos vícios, é a fraqueza, a incapacidade diante da luta, é a incompetência mascarada - equipara-se à vaidade e ao orgulho, como deficiências da alma, como se faltassem voz e tato a um ser completamente saudável. É a preguiça encoberta em patologias mais graves, deixando que se percam tempo e história, ponteiros deslizando e inflacionando o calendário. Deixar para lá, pior do que o deixar para amanhã, só demonstra a fraqueza da alma. É onde se propaga o vácuo, ainda que percuciente, o abismo dentro do tempo que flui, como uma bolha de ar que impede o fluxo. A covardia, agasalhada pelo medo e pela dúvida, contamina e destrói as missões predestinadas ou preestabelecidas no imaginário de cada dia. Assim anda a vida. Resume-se conclusivamente na decepção substantivada, quase personificada, objeto concreto e conclusivo do procrastinar. Consequências - o plantio e a colheita, a aceitação, o gole consolador e o trago punitivo de batalha encerrada, de corrida interrompida por medo alheio de tropeçar, e meu nome simplificado, tal como ele era, de quando nasci. A covardia extingue ou oculta as virtudes, diminui o homem, dilacera o ego. A covardia envenena o caráter, desaponta as expectativas. E fim de papo.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
certo por linhas tortas - yes it is
....E por quê, afinal, reclamamos das linhas tortas do destino à medida que escreve-se correto, se no fim de tudo somos nós seres imperfeitos? Como exigir coerência e clareza se nós mesmos desconhecemos nossos próprios defeitos e virtudes, por tantas vezes, e se tanto erramos? Como exigir do mistério maior, se mal deciframos nosso próprio reflexo, defronte o espelho? Cabe à nossa história ser curvilínea como nossos corpos, em zigue-zague como nossos rostos, nodulosa como nossas mãos, fervilhante tal qual nossos sentimentos, medos, dúvidas, egoísmos e angústias. É da dor da ostra que nasce a pérola. Assim aprendemos. A linha reta cabe à simetria do colchão, útil para a hora de deitarmos e descansarmos depois da batalha vencida. Cabe à maciez da toalha que enxuga o banho quente merecido. Cabe à face do chão limpo e cheiroso do apartamento, ao final do dia, onde se depositam os pés descalços atrás de conforto e sossego. Cabe à página deitada do livro, ao pé da cabeceira, pronto para ser folheado até que chegue o sono que antecede o novo dia de paz. A linha reta é a das lembranças, e não a das premonições. Reto é o passado, e não o futuro. O presente é feito pipoca estourada, totalmente inesperada, composta de curvas e branca de paz.
O que posso saber, na verdade, é que não faço ideia de quem sou e do que eu seria, quando olho para trás, se por acaso eu tivesse tentado fazer tudo diferente, talvez porque acredito demais na viagem de ida sem volta de cada dia - um de cada vez - para saber que o que foi feito era de fato o certo. Tenho total confiança na intuição das coisas e das causas, há pontuação para tudo e sei que se nos tivessem dado o poder de fazer tudo diferente, certamente apenas adiaríamos o que já estava escrito. E isso serve para tudo nessa vida. E embora julguemos a saudade como sendo o nosso veneno, confesso, sei que no fundo ela é o próprio remédio, do mais contraditório possível.
Por ora só falta tempo, mas e daí, e sobra paz de tanto espaço de silêncio.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
across the mirror
Agradeço a Deus por tudo o que dá certo, pelo caminho difícil que alcançou um final surpreendente. Tudo como desejei se fez quando foi conveniente, porque há tempo pra tudo e a capacidade de evoluir junto às metas é suave e lenta. Assim é a paz, incrível como o destino é mestre, meu coração palpitou e se abriu aos mesmos passarinhos verdes da mesma janela que não se alimentam de nada, apenas de mim. Feliz, suspirando até o último ar do quarto, me pego nas nuvens, porque não habito campo minado nenhum, porque me sou suficiente sozinha, embora ansiosa pelas novidades, segurando a boca com as mãos para não falar nada. Mas não há nada melhor do que superlotar a prateleira da estante, ignorando a estética da sala, e sinto orgulho de ter sido criada assim. Adentro um ciclo inimaginável de novas possibilidades, escolhi um percurso e assim o seguirei, junto à Filosofia, junto à polissemia, mas com ares de futuro a partir de agora. Eu que sempre advoguei meu destino, agora busco o resto que sobrevive na vida, mimimi, mimimi, vamos lá. Estudar e conhecer são as ferramentas da possibilidade, são a endorfina compatível à minha alma, o remédio das minhas cóleras. O que fica para trás, como disse meu pai, é atraso de vida, e se o passado volta, que venha com amor e que acompanhe tudo o que mudou. O segredo é o novo barulho, is the new black.
terça-feira, 10 de julho de 2012
SOBRE AS AMIZADES
"O maledicente desejará que você observe, tanto quanto ele, o lado desagradável da vida alheia."
(André Luiz. Livro: Agenda Cristã. Ed. FEB)
segunda-feira, 9 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
chasing pirates
sexta-feira, 6 de julho de 2012
tempo morto
Passa entre os dedos o punhado de areia quando a mão afrouxa. Voa o passarinho se lhe deixa a gaiola entreaberta. Evapora-se o líquido se o puser vulnerável. Desbota o tecido vibrante quando posto ao sol. Voa pela janela o papel, se não estiver bem protegido. Esquece-se um idioma, se não o pratica. E tudo que, por quaisquer razões, você deixa escapar, se desfaz. Deixar passar tudo sem querer agarrar com as mãos - e quem vai entender. Sou frágil demais para fazer a parte dos outros, representar o papel dos outros, tomar a atitude que caberia ao outro. Sou frágil demais, sou frágil demais. E consciente de que é o certo não fazer pelos outros. Perde-se o tempo, perde-se a oportunidade, jogo-me de volta ao começo como um trem que não chegou à estação, como se meu caminho continuasse sem paradas. Muita bagagem. É difícil compreender os olhos que gritam e a boca que cala, simultaneamente - e quem vai entender?. Desisto da luta, se não me apresenta a vontade da batalha. Desisto do filme, se o dialeto é estrangeiro demais para meu leque de linguagem e não há tradução ou legenda. Deixar que tudo seja sempre mudo faz com que as coisas se percam. O silêncio destrói. Lutar com as palavras é pouco para tantos riscos no calendário. É o tempo que já passou que nos parece rápido, e não a velocidade como caminhamos. O orgulho não é uma defesa, é um veneno. A vaidade é o amor próprio utilizado de maneira equivocada. Orgulho e vaidade matam, e arrancam as veias para fora, e doem, fazem arder, e queimam, e de novo, matam.
Passei por entre os dedos. Me espalhei no resto da praia. Sem querer, pulei da gaiola - como não me colocaram de volta, acabei por voar sem rumo. Evaporei, pouco a pouco. Desbotei, retingi-me. Esqueci de esperar. Esqueci de entender. Fui embora, e não houve quem me impedisse.
E eu esperei, juro que esperei, surda de silêncio. E fui embora.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
rain fall down - I'll sing you a lullaby
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Time passes
Cambaleei entre as arestas do autocontrole propriamente delimitado, como quem perde o equilíbrio no meio fio da rua principal. Dei de ombros para as cortinas molhadas da chuva, como quem diz que esbarrar o cotovelo na quina da parede não dói tanto assim. Calei as neuroses de dona de casa quando vi que derrubei cinzas no tapete, há sempre a contradição mesmo. Antes isso à bagunça alheia que invadia a minha organização. É fácil limpar quando se há paciência, do mesmo modo que é fácil perdoar quando se tem fé na renovação. Liberei a endorfina toda de uma vez só, transparecendo o que até então eu preferiria guardar em segredo, porque me tomo muito à mostra quando me analisam demais. Sei que as vontades se fixam no palato, meio que às escondidas, a gente tem é que digerir diariamente para manter a saúde equilibrada. Ao menos essa, já que a cabeça anda sem alguns parafusos.
É uma mensagem de madrugada que julgo não ser perigosa, é o olho que fixa as retinas e já não sei mais do que estou falando. É passar a chave duas vezes e travar o trinco, deixar que chova, porque as meias no pé têm sua ideal função, e permanecer quieta na minha tranquilidade, porque definitivamente o inferno de mim fazem os outros!
sábado, 30 de junho de 2012
Of a windmill going round
Desliguei as luzes, tranquei a porta, abri as janelas, quebrei a promessa - sentada no tapete da sala, com os pés no couro gelado do sofá, acendi um cigarro. Dei-me o direito de decretar a recaída completa do dia. E recriei a sequência de todas as minhas idéias, que andam com o costume de pesarem mais do que eu.
Um sorriso sempre vem aos cantos da boca quando lembramos dos sabores doces e das texturas certas. É a prova de que crescemos, envelhecemos, andamos junto ao tempo. É o não estagnar-se. É fluir com a água.
Às vezes falham as rédeas do percurso, nos pegamos em retrocessos e notas mais agudas, num espaço que costumava sempre nos proteger de tudo, e isso é o golpe da ironia. Bebi os goles de um Cabernet medíocre, e prontamente me joguei pela janela. Desci sete andares com o vento, pude ver as asas desalinhadas saindo pela roupa. Me vi caindo no asfalto do estacionamento. Me vi levantar, sem arranhões na alma. Me vi sair andando, entre os carros, à procura das pétalas da flor que simbolicamente destrinchei, em busca de voltar ao juízo anormal. Acordei já de manhã, na cama, refeita e feliz, porque como em todas as faltas de criatividade, aquilo não passou de um sonho.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
amo, porém existo
Na noite passada deixaram ao pé da minha porta uma caixa grande e pesada, cuja função seria guardar o tesouro mais perigoso de tantas histórias - a nossa. Tantas, quantas, muitas lembranças, os cheiros que infiltraram travesseiros, palavras que curaram, o peso no lençol, o ronco no ouvido - e a despedida. Acabei sonhando com o inevitável. Senti tudo, senti paz. Hoje, acordei coberta de saudades, de resignação, de recuperação, de reconhecimento, de saudade infinita - amo, porém existo.
Posfácio de Dezembro
Ter que suportar o mundo, ter que suportar os meses, ter que suportar os sabores e os trejeitos da memória, ter que suportar a razão, ter que suportar o sentimento. Tudo tão leve, mas que ainda assim aparenta pesar tanto para os outros, quase que obrigatoriamente. Amo e abrigo, guardo, esmago, gozo. Quando se fala de menos e se ouve demais, quando já sou personagem na imaginação do mundo, quando já sou estória nas frases do ócio mascarado das velhas gralhas de sempre. Os tetos de vidro que se quebram e se colam com cola de hipocrisia, e que sadicamente me apontam com o maior dedo da mão sem nem eu ter sofrido do mal. A projeção dos coitados, a projeção das carências, a projeção dos próprios problemas. Costumo dizer que se assim querem, que assim seja, mas enfaticamente contraponho o argumento lembrando que nem tudo é o que parece, e nem tudo é real pelo simples fato de assim você o imaginar. Virei quase umas dez temporadas de uma novela estrangeira que jamais escrevi, e acho que em retribuição eu apenas diria: prestem atenção na realidade de vocês, porque a minha vocês erraram.
domingo, 24 de junho de 2012
à ternura pouca
me vou acostumando
enquanto me adio
servente de danos e enganos
vou perdendo morada
na súbita lentidão
de um destino
que me vai sendo escasso
conheço a minha morte
seu lugar esquivo
seu acontecer disperso
agora
que mais
me poderei vencer?
- Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Coming, colors in the air, oh everywhere
Um ponto negro embutido no azul. Um objeto fora dos padrões, fora dos vínculos racionais e dentro do nada, fora das previsões; Como formar um mundo, se o homem é uma ilha?
Vejo mais do que qualquer coisa a sonolenta ânsia de se buscar como indivíduo, como sempre, ainda que em marcas de autoconhecimento ou coisa que o valha, em bordas vazias de misantropia - uma gana de sobrevivência egoísta, uma vaga expressão do que nem é real, uma espécie de autosuficiência primária, a cansativa busca de respostas para perguntas que no todo não encontramos, que quiçá ainda nem inventamos. Talvez a gente sempre finja não encontrar, ou não saibamos procurar, mas é preciso que nos orientem. É o erro dos confusos - reclamar do que não encontrou, mas antes disso não saber o que procura e por isso não reconhecer quando finalmente encontra o pote de ouro.
Somos movidos pela fantasia do inconsciente, do subconsciente, do fácil, do imediato. Sem sabermos, vivemos aquilo que nossa fantasia desenha, fazendo disso a nossa realidade, confundindo o real absoluto. Nós não pensamos, somos pensados. Penso onde não existo e existo onde não penso. O Real é aquilo que é impossível de dizer. Deparando-me com o indefinível, quem sabe eu reconheça a realidade.
Sabemos o que é verdadeiro para os outros mas não reconhecemos o que é real para nós. Buscava fora, mas estava dentro de mim. Aquilo tudo, e mais um resto. O desfazer-se das coisas - tirar o véu dos conceitos e das causas -, desmembrar-se.
terça-feira, 19 de junho de 2012
It's just a kiss away
Distancio-me do peso das decisões involuntárias, das dúvidas, da covardia, do orgulho, da vaidade, do fracasso, e de todo o resto que as pessoas contemplam e que inevitavelmente respingam em mim. É preciso ser coerente e condenar aquilo que me magoa, jamais me esquecendo do que é justo, do que me faz bem, do que me fazia mal. Rezo para que isso jamais se repita, mas caio na fraqueza de achar que as coisas mudaram. Mas há coisa que nunca muda. Coisas e pessoas. É a minha memória que é fraca às vezes, ou não, e tudo fica à beira do reverso, a um beijo de distância. Chego a pensar que é defeito, mas sempre vejo o bem antes de ponderar o mal de tudo. Aí caio nas armadilhas das mesmas coisas. A mais sádica das pontuações é a interrogação. Ela jamais finalizará as idéias. É a dúvida, de longe, o pior dos pecados. O "e se" já causou muitos problemas na humanidade. O silêncio é terapia, mas também pode ser fardo. Um olhar pode transbordar, mas também enfeitiçar. Aquilo que se torna paradoxal acaba por magoar sem que percebamos - o está tudo certo, mas também tudo errado, os perfeitos sinônimos nunca e sempre, a dicotomia do que fizemos e sentimos que nos faz dar voltas na mesma roda viva. A fuga que nos leva de volta ao início. O caminho que arrodeia a mesma vida terrena. Da missão que, de tão redonda e cíclica, inevitável e condenada, não dá para fugirmos. É questionar-se se aquilo de fato me maltrata ou me salva de tudo. O tempo é sempre o melhor amigo da vida, não obstante misterioso, e é nele que me sustento cegamente. É nele que deposito a fé daquilo que Deus quer que eu sobreviva. Aquilo que tem que ser, um dia virá. O que tem que vir, recebo com os braços abertos. O que não me pertence, aprendi que devo deixar sempre no meio do caminho. Os meus presentes, esses sim, carrego comigo.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
echoes
Brindar a paz em todo o seu preenchimento até hoje visto, como quem era abstinente até então. Uma rede na varanda no final da tarde depois de combater uma guerra mundial é a metáfora das sensações, da necessidade do mergulho, da ânsia de metamorfose. O silêncio petrifica, e veja, as pessoas nunca se lembram disso e procrastinam as decisões e as chances como se elas não importassem. E desconfio que elas não importavam tanto assim, já que foram engavetadas na mesinha de cabeceira. A covardia é amarga, o orgulho é uma anomalia, a vaidade é um veneno e personificar-se em desgosto é constrangedor. Nada disso cabe na minha vida, porque meu sorriso percorre a distância entre as duas orelhas. Jogo as cinzas pela janela e penso que é agora ou nunca, e creio que seja essa a hora, e desconfio que sim, então pronto, vou!
"As boas obras começam de nós mesmos. Educaremos, educando-nos. Não faremos a renovação da paisagem de nossa vida, sem renovar-nos. Somos arquitetos de nossa própria estrada e seremos conhecidos pela influência que projetamos naqueles que nos cercam."
(Emmanuel. Livro: “Relicário de Luz”. Ed. FEB)
"As boas obras começam de nós mesmos. Educaremos, educando-nos. Não faremos a renovação da paisagem de nossa vida, sem renovar-nos. Somos arquitetos de nossa própria estrada e seremos conhecidos pela influência que projetamos naqueles que nos cercam."
(Emmanuel. Livro: “Relicário de Luz”. Ed. FEB)
segunda-feira, 11 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
gracias a la vida
[trecho de Poema dos Dons - Jorge Luís Borges]
Graças quero dar ao divino labirinto dos efeitos e das causas
pela diversidade das criaturas que formam este singular universo,
pela razão, que não cessará de sonhar com um plano do labirinto,
pelo rosto de Helena e a perseverança de Ulisses,
pelo amor que nos deixa ver os outros como os vê a divindade,
por Schopenhauer que decifrou talvez o universo,
pelo último dia de Sócrates,
pelos rios secretos e imemoriais que convergem em mim,
pela linguagem, que pode simular a sabedoria,
pelo esquecimento, que anula ou modifica o passado,
pelo costume, que nos repete e confirma, como um espelho,
pela manhã, que nos depara a ilusão de um princípio,
pela noite, sua treva e sua astronomia,
pelo valor e a felicidade dos outros,
pelo facto de que o poema é inesgotável e se confunde com a soma das criaturas e jamais chegará ao último verso e varia segundo os homens,
pelos minutos que precedem o sonho,
pelo sonho e a morte, esses dois tesouros ocultos,
pelos íntimos dons que não enumero,
pela música, misteriosa forma do tempo.
domingo, 3 de junho de 2012
Fairest of the Seasons
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