O recurso patético ao proparoxítono humorístico ou sarcástico ou satírico

O recurso patético ao proparoxítono humorístico ou sarcástico ou satírico

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

quiet is the new loud


Preenchendo quase que todos os números do calendário, paradoxalmente todas as transformações se iniciam. Mudam as cores das molduras, das paredes que me rodeiam até o ápice, dos talheres, dos móveis, dos objetos em cima da mesa. Mudam os sabores ao acordar.  Mudou a caneca do café com leite da manhã. Mudou o tom de voz. Mudou o leque de sinestesia. Mudou o ritmo da coisa. Tudo muda. Em tempos de fim de ano, acrescenta-se mais verde ao ambiente interno do apartamento, há bolas vermelhas e douradas até o teto - e luzes coloridas que iluminam toda a noite, trazendo muito mais sensações do que as que eu posso descrever aqui. Mas não são essas as cores em evidência. Há muito mais de tudo, mais do que se pode imaginar. O silêncio é muito mais do que o novo ruído, é vida.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

nur richt


Um álbum trilha magia, do começo ao fim - para inaugurar a semana.

domingo, 28 de outubro de 2012

you crazy world, crazy world yeah

Sentou-se na borda da cama na intenção de evitar o sono, e pensou: "aqui eu poderei ler o quanto quiser, não cairei na teia". Admirou o conforto de quando se muda o colchão de posição, como se tudo se acomodasse melhor, como acontece com tudo o que é novo. Inclinou-se nos travesseiros e demorou-se por ali, nas páginas do livro, na perseverança da desconstrução, nas lacunas das sílabas, no enredo da noite, na beira da cama, atenta e alerta, temendo se entregar ao sonho, hesitando chegar à inércia, lutando o quanto pudesse para não ser pega nas entranhas do pensamento, quando finalmente o sono chegasse. Mas quem poderia imaginar que a teia tem seus meios e que conseguiria, ainda que à margem, prender a sua atenção? E então, ali mesmo, ela sonhou acordada. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

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FFFFFFFFFFFFFFF
EEEEEEEEEE
LLLLLLLLLL
IIIII
Z

quando se encontra a dúvida e a transforma em planos - ficatudobemdenovo
#nerd

♥ ♥ ♥ ♥

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

mirror

Transbordei ao fechar os olhos, senti os pés tocarem o teto, contemplei o frio do piso branco do quarto com as mãos e deixei passar pelo pensamento todas as cores possíveis e inimagináveis. Um vinho que não trava na boca. O colocar-se em órbita, por mais que traga consequências dolorosas, justifica-se algum tempo depois, sim, em quase todos os ensinamentos que acumulei durante meus dias. Proteger-me terá sempre o mérito devido, mesmo que doa. Suspiramos, olhamos para trás, sentimos falta, diariamente, mas sorrimos, respeitamos e aceitamos,  andamos em frente. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A gente se apega aos fonemas graves que moram nos paroxítonos e se esquece da doçura das pausas no canto das frases. Focamos o azul do céu nos retratos, e talvez jamais percebamos o negro dos olhos nas faces estranhas. Cegueira e gostos amargos, por pura teimosia, e os olhos fechados, ora por não ser necessário abri-los, ora por não querer enxergar as novidades. O rosto corado denuncia, ora porque o corpo entrega mesmo aquilo que sente, ora porque se irrita com o recomeço do ciclo, tentando procrastinar o quanto puder as novidades. A ignorância perante o novo, a má vontade de se fazer entregue, a preguiça de pular a fogueira e prosseguir na trilha. Ofereceram-me o mapa da terra encantada, mas preferi a minha ilha. Chata como nunca, e ainda sou capaz de fitar apenas o vaso delineado em cima da mesa e querê-lo vazio, numa gana interminável de viver na brecha do vácuo, até onde eu conseguir. A misantropia, lá nas suas raízes etimológicas e sociais, no seu bolso mais secreto, tem embutido o meu nome, em meio aos demais casos perdidos da história. 

domingo, 2 de setembro de 2012

swallow

Como pano de fundo - os tons de bege, como trilha ambiente - o barulho dos próprios passos. No meio da sala, na junção das duas paredes, nas sombras da cortina, no perfume dos cabelos, na melodia dos ruídos - encontrei os vestígios de uma revolução. Debaixo do sofá, ali, tão discreto, descobri o bilhete das declarações, tão fora de moda quanto a mesquinhez dos anseios errados ao próximo, como faziam e ainda fazem as mesmas pessoas enfadonhas de sempre. Fora de moda, porque já são melodia de outros ouvidos. Sentir e externar o alívio da felicidade alheia é decretar missão cumprida, pois o amar de verdade resume-se em querer o bem do próximo, não importa como, não importa onde. O oposto disso é mesquinhez. É tudo, menos amor. Sinto-me livre, acho. Tudo por ter me esquivado de ser sombra do outro, afinal amar não é tudo, é preciso amar certo. Brindar às próprias decisões tomadas um dia fez de mim vencedora hoje, mesmo  que quase me afogando nas vertentes da saudade. Fiz e quis o que era correto, fui amparada pelo tempo. Optei pelo não adoecer da alma, mas sorri para o que acontecesse em seguida. Eis o mistério das coisas que dão certo: coragem para as consequências. Um abraço, uma amizade ganha, um laço devidamente colorido, uma pessoa de quem jamais me esquecerei, alguém que ficará no melhor dos lugares de mim. Um amigo que encontrei na vida para semear a nossa missão, uma pessoa inacabada já pronta para a próxima lição da vida, pronto para evoluir - um personagem de quem levarei as mais belíssimas recordações, a quem desejo o melhor, a quem eu amo, como a mim mesma. A água que corre debaixo da ponte jamais permanece igual, à medida que passam os dias. Mas são elas que lavam os nossos pés, para caminharmos sempre à frente, sempre diferente, muitas vezes em direções opostas, não importa o sentido. Um sorriso no rosto apenas já traduz. Uma andorinha só não faz verão, mas faz a sua parte.

Debaixo do travesseiro, não muito frequentemente, ainda encontro a fita do cabelo, que me enlaça quando pretendo dormir, mas que não mais sufoca - enfeita ao invés de prender como um nó. Ainda como hábito, o copo com água permanece ao lado da cama, perto do abajur. Diariamente, como sempre, me esquivo de esbarrar nele, não molhando mais uma vez o livro com as páginas marcadas por grampos coloridos. Os óculos se desprendem do rosto quando a vista já está cansada, mas ainda assim não corro o risco da cegueira das coisas - agora eu enxergo. -. Repouso-o dentro  da flanela, na gavetinha da cabeceira. Fecho os olhos satisfeita, por mais um dia que deu certo.

As coisas são totalmente simples, os caminhos são perfeitamente sinuosos, as pessoas é que complicam. Enquanto esperam que soframos e patologicamente se satisfazem com isso, mostramos que, me desculpem pelo desapontamento, a vida é algo que flui tão perfeitamente que só posso retribuir em gratidão por cada dia. Os dias têm sido de correria, não sobra tempo para nada até que eu me permita a cara de pau de sentar ao pé do computador num domingo, e pense sobre tudo. Folga de quinze minutos, vida de tantos anos e a surpresa que cabe em apenas um segundo, nos próximos milhões de minutos, porque o melhor prazer conquistado é de habitar na felicidade da solidão. Tenho microanseios e microsegredos que ainda nem conheço. Sinto euforias. Flutuo na paz. Tenho ouro nas extremidades, tenho gostos adocicados na boca e sinestesia suficiente para mais uma jornada. Respiro fundo, e vou.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

aos gostos

Encaro Agosto como o mês dos sabores, como a passagem dos dissabores através dos lábios, dos olhos, dos ouvidos e dos sonhos, através dos medos e das descobertas. Inexplicável é ver que as certezas são inquebráveis, ainda que em meio ao mistério, por mais que o tempo passe. Mesmo que as coisas mudem, não se apaga a intuição. Sei que são de ouro as chaves que guardo, sei que são de nuvem os devidos cadeados. Sei que são fechaduras sinceras. Guardo tudo com toda a fé do amanhã, não se sabe por qual razão, mas sei que o vento é frio porque há o agasalho e que, não obstante, logo vem a primavera, como mudam os meses do ano.

Fazer o certo é a senha que nos conecta às virtudes mais elevadas, ao contrário do caminho mais fácil das indelicadezas - o correto nem sempre é o indolor, mas ainda assim não deixa de ser o correto.

Jamais me esqueço do tempo, até que o mistério se ilumine. E depois de tudo, descansar, sem medo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

black hole sun

A covardia é o pior dos vícios, é a fraqueza, a incapacidade diante da luta, é a incompetência mascarada - equipara-se à vaidade e ao orgulho, como deficiências da alma, como se faltassem voz e tato a um ser completamente saudável. É a preguiça encoberta em patologias mais graves, deixando que se percam tempo e história, ponteiros deslizando e inflacionando o calendário. Deixar para lá, pior do que o deixar para amanhã, só demonstra a fraqueza da alma. É onde se propaga o vácuo, ainda que percuciente, o abismo dentro do tempo que flui, como uma bolha de ar que impede o fluxo. A covardia, agasalhada pelo medo e pela dúvida, contamina e destrói as missões predestinadas ou preestabelecidas no imaginário de cada dia.  Assim anda a vida. Resume-se conclusivamente na decepção substantivada, quase personificada, objeto concreto e conclusivo do procrastinar. Consequências - o plantio e a colheita, a aceitação, o gole consolador e o trago punitivo de batalha encerrada, de corrida interrompida por medo alheio de tropeçar,  e meu nome simplificado, tal como ele era, de quando nasci. A covardia extingue ou oculta as virtudes, diminui o homem, dilacera o ego. A covardia envenena o caráter, desaponta as expectativas. E fim de papo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

certo por linhas tortas - yes it is

....E  por quê, afinal, reclamamos das linhas tortas do destino à medida que escreve-se correto, se no fim de tudo somos nós seres imperfeitos? Como exigir coerência e clareza se nós mesmos desconhecemos nossos próprios defeitos e virtudes, por tantas vezes, e se tanto erramos? Como exigir do mistério maior, se mal deciframos nosso  próprio reflexo, defronte o espelho? Cabe à nossa história ser curvilínea como nossos corpos, em zigue-zague como nossos rostos, nodulosa como nossas mãos, fervilhante tal qual nossos sentimentos, medos, dúvidas, egoísmos e angústias. É da dor da ostra que nasce a pérola. Assim aprendemos. A linha reta cabe à simetria do colchão, útil para a hora de deitarmos e descansarmos depois da batalha vencida. Cabe à maciez da toalha que enxuga o banho quente merecido. Cabe à face do chão limpo e cheiroso do apartamento, ao final do dia, onde se depositam os pés descalços atrás de conforto e sossego. Cabe à página deitada do livro, ao pé da cabeceira, pronto para ser folheado até que chegue o sono que antecede o novo dia de paz. A linha reta é a das lembranças, e não a das premonições. Reto é o passado, e não o futuro. O presente é feito pipoca estourada, totalmente inesperada, composta de curvas e branca de paz.

O que posso saber, na verdade, é que não faço ideia de quem sou e do que eu seria, quando olho para trás, se por acaso eu tivesse tentado fazer tudo diferente, talvez porque acredito demais na viagem de ida sem volta de cada dia - um de cada vez - para saber que o que foi feito era de fato o certo. Tenho total confiança na intuição das coisas e das causas, há pontuação para tudo e sei que se nos tivessem dado o poder de fazer tudo diferente, certamente apenas adiaríamos o que já estava escrito. E isso serve para tudo nessa vida. E embora julguemos a saudade como sendo o nosso veneno, confesso, sei que no fundo ela é o próprio remédio, do mais contraditório possível.

Por ora só falta tempo, mas e daí, e sobra paz de tanto espaço de silêncio.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

across the mirror


Agradeço a Deus por tudo o que dá certo, pelo caminho difícil que alcançou um final surpreendente. Tudo como desejei se fez quando foi conveniente, porque há tempo pra tudo e a capacidade de evoluir junto às metas é suave e lenta. Assim é a paz, incrível como o destino é mestre, meu coração palpitou e se abriu aos mesmos passarinhos verdes da  mesma janela que não se alimentam de nada, apenas de mim. Feliz, suspirando até o último ar do quarto, me pego nas nuvens, porque não habito campo minado nenhum, porque me sou suficiente sozinha, embora ansiosa pelas novidades, segurando a boca com as mãos para não falar nada. Mas não há nada melhor do que superlotar a prateleira da estante, ignorando a estética da sala, e sinto orgulho de ter sido criada assim. Adentro um ciclo inimaginável de novas possibilidades, escolhi um percurso e assim o seguirei, junto à Filosofia, junto à polissemia, mas com ares de futuro a partir de agora. Eu que sempre advoguei meu destino, agora busco o resto que sobrevive na vida, mimimi, mimimi, vamos lá. Estudar e conhecer são as ferramentas da possibilidade, são a endorfina compatível à minha alma, o remédio das minhas cóleras. O que fica para trás, como disse meu pai, é atraso de vida, e se o passado volta, que venha com amor e que acompanhe tudo o que mudou.  O segredo é o novo barulho, is the new black.

terça-feira, 10 de julho de 2012

SOBRE AS AMIZADES


"O maledicente desejará que você observe, tanto quanto ele, o lado desagradável da vida alheia."

(André Luiz. Livro: Agenda Cristã. Ed. FEB)

Nada mais transparente para resumir as fogueiras que pulei, as pessoas que evitei, as figuras de quem me afastei, nos últimos anos. Eu e meu erro de receber de braços abertos as pessoas, com sorrisos, cumplicidade e sinceridade. Nisso, quase me afundei. Pulei um negativismo de autopromoção que, além de patológico, subtrai tão negativamente os sentidos... Nada além de vaidade do nada. O achar que a inveja lhe rodeia é esquecer que na verdade essa pessoa nada mais foi do que o exemplo do que não ser e de como não agir, esse tempo todo, de maneira tão unânime que me assustou, e eu ainda fui boa demais por ter escondido isso na intenção de proteger e ir contra a maré. E hoje ainda virou exemplo para mais uma - eu. Ontem me perguntaram sobre quem já conheci e quem deixei passar nessa vida, nos últimos anos, e quem eu gostaria de recuperar na minha bagagem. Deu-me arrepios só por lembrar. Lembrei de gente que já se tornou arquétipo nas bocas dos que concordam, exemplos de "vish, Deus me livre!", na forma mais coloquial que me permitirem. Por seguir o caminho da fruta podre, levamos o azedume no paladar de muitas pessoas queridas e só nos damos conta depois. E como não dá para voltar o tempo e fazer tudo diferente, o melhor é correr dele e andar bem para frente. Que a oferenda volte pro mar, todos os dias por obséquio, mesmo que passe o tempo - Passa reto e passa longe!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

"O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou."

sábado, 7 de julho de 2012

chasing pirates


Fujo da teia, mas volto sempre ao mesmo lugar. Não consigo, não consigo evitar. Invade a lembrança, invade a presença, invade até o dia de amanhã, como quem tem posse do passado, do presente e do futuro, ao mesmo tempo – onipotente, onipresente. Afunda em todos os pensamentos de uma maneira irreparável, de modo que, por mais que eu tente, já não consigo parar de pensar. E eu lhes digo o que significa o amor - Fizeram-me crer, durante toda a minha vida, que senti-lo é um sinal de saúde e sanidade, é como estar vivo, mas em mim tudo isso arde como febre, tira-me do juízo normal, joga-me num abismo, enlouqueço. Luto com meu reflexo no espelho, devo me ajudar, mas tenho sido minha pior inimiga. Que eu me cure, que eu me cure, sinto-me fraca e frágil. Saudade é algo grave, ensinarei às próximas gerações. O amor é perigoso. Dá febre. Antibióticos no café da manhã e algo que me faça dormir à noite - podem deixar na minha porta. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

tempo morto

Passa entre os dedos o punhado de areia quando a mão afrouxa. Voa o passarinho se lhe deixa a gaiola entreaberta. Evapora-se o líquido se o puser vulnerável. Desbota o tecido vibrante quando posto ao sol. Voa pela janela o papel, se não estiver bem protegido. Esquece-se um idioma, se não o pratica. E tudo que, por quaisquer razões, você deixa escapar, se desfaz. Deixar passar tudo sem querer agarrar com as mãos - e quem vai entender. Sou frágil demais para fazer a parte dos outros, representar o papel dos outros, tomar a atitude que caberia ao outro. Sou frágil demais, sou frágil demais. E consciente de que é o certo não fazer pelos outros. Perde-se o tempo, perde-se a oportunidade, jogo-me de volta ao começo como um trem que não chegou à estação, como se meu caminho continuasse sem paradas. Muita bagagem.  É difícil compreender os olhos que gritam e a boca que cala, simultaneamente - e quem vai entender?. Desisto da luta, se não me apresenta a vontade da batalha.  Desisto do filme, se o dialeto é estrangeiro demais para meu leque de linguagem e não há tradução ou legenda. Deixar que tudo seja sempre mudo faz com que as coisas se percam. O silêncio destrói. Lutar com as palavras é pouco para tantos riscos no calendário. É o tempo que já passou que nos parece rápido, e não a velocidade como caminhamos. O orgulho não é uma defesa, é um veneno. A vaidade é o amor próprio utilizado de maneira equivocada. Orgulho e vaidade matam, e arrancam as veias para fora, e doem, fazem arder, e queimam, e de novo, matam. 

Passei por entre os dedos. Me espalhei no resto da praia. Sem querer, pulei da gaiola - como não me colocaram de volta, acabei por voar sem rumo. Evaporei, pouco a pouco. Desbotei, retingi-me. Esqueci de esperar. Esqueci de entender. Fui embora, e não houve quem me impedisse.

E eu esperei, juro que esperei, surda de silêncio. E fui embora.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

rain fall down - I'll sing you a lullaby

Me perguntaram se eu tinha medo. Indagaram sobre minha coragem. Lamentaram minha alma enferma. Me falaram que pulei alto, duvidaram se eu cairia em pé. Admiraram minha atitude. Aliviaram-se perante meu progresso. Me questionaram sobre eu ter paciência. Chegaram a temer. Perguntaram o que eu sentiria depois. Questionaram o meu alívio. Respeitaram a minha dor. Entenderam quando sorri, festejaram a minha evolução. Conformaram-se com os mistérios das coisas absurdamente corretas, provenientes da dor. Respeitaram minha coragem, por fim, e concluíram que sempre a tive, que todos a têm, mas em cada um ela aflora num tempo certo. O antídoto mágico que se se usa apenas quando preciso, nem antes, nem depois. Assim cuidam de nós as pessoas que se preocupam. E vi que nesse universo há alguém tão onipotente e que ama tanto a gente que nos faz nascer com a alma respingada, aqui e ali, para que não nos sintamos sozinhos no mundo, para que não vivamos em casulo. Somos nós e nossas outras almas, somos complementados pelos outros, nossas almas fracionadas, galhos da árvore que somos, ramificações de vida, enquanto cai a chuva - nossos amigos. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Time passes

Cambaleei entre as arestas do autocontrole propriamente delimitado, como quem perde o equilíbrio no meio fio da rua principal. Dei de ombros para as cortinas molhadas da chuva, como quem diz que esbarrar o cotovelo na quina da parede não dói tanto assim. Calei as neuroses de dona de casa quando vi que derrubei cinzas no tapete, há sempre a contradição mesmo. Antes isso à bagunça alheia que invadia a minha organização. É fácil limpar quando se há paciência, do mesmo modo que é fácil perdoar quando se tem fé na renovação. Liberei a endorfina toda de uma vez só, transparecendo o que até então eu preferiria guardar em segredo, porque me tomo muito à mostra quando me analisam demais. Sei que as vontades se fixam no palato, meio que às escondidas, a gente tem é que digerir diariamente para manter a saúde equilibrada. Ao menos essa, já que a cabeça anda sem alguns parafusos. 

É uma mensagem de madrugada que julgo não ser perigosa, é o olho que fixa as retinas e já não sei mais do que estou falando. É passar a chave duas vezes e travar o trinco, deixar que chova, porque as meias no pé têm sua ideal função, e permanecer quieta na minha tranquilidade, porque definitivamente o inferno de mim fazem os outros!

sábado, 30 de junho de 2012

Of a windmill going round

Desliguei as luzes, tranquei a porta, abri as janelas, quebrei a promessa - sentada no tapete da sala, com os pés no couro gelado do sofá, acendi um cigarro. Dei-me o direito de decretar a recaída completa do dia. E recriei a sequência de todas as minhas idéias, que andam com o costume de pesarem mais do que eu. 

Um sorriso sempre vem aos cantos da boca quando lembramos dos sabores doces e das texturas certas. É a prova de que crescemos, envelhecemos, andamos junto ao tempo. É o não estagnar-se. É fluir com a água.  

Às vezes falham as rédeas do percurso, nos pegamos em retrocessos e notas mais agudas, num espaço que costumava sempre nos proteger de tudo, e isso é o golpe da ironia. Bebi os goles de um Cabernet medíocre, e prontamente me joguei pela janela. Desci sete andares com o vento, pude ver as asas desalinhadas saindo pela roupa. Me vi caindo no asfalto do estacionamento. Me vi levantar, sem arranhões na alma. Me vi sair andando, entre os carros, à procura das pétalas da flor que simbolicamente destrinchei, em busca de voltar ao juízo anormal. Acordei já de manhã, na cama, refeita e feliz, porque como em todas as faltas de criatividade, aquilo não passou de um sonho. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

amo, porém existo

Na noite passada deixaram ao pé da minha porta uma caixa grande e pesada, cuja função seria guardar o tesouro mais perigoso de tantas histórias - a nossa. Tantas, quantas, muitas lembranças, os cheiros que infiltraram travesseiros, palavras que curaram, o peso no lençol, o ronco no ouvido - e a despedida. Acabei sonhando com o inevitável. Senti tudo, senti paz. Hoje, acordei coberta de saudades, de resignação, de recuperação, de reconhecimento, de saudade infinita - amo, porém existo.