sexta-feira, 27 de abril de 2012
120km/h
No espaço de tempo que separa um dia do outro todas as coisas pensáveis e inimagináveis podem acontecer. Não é preciso mais de um minuto para que a decisão que adentra o nível mais importante da sua vida seja tomada - durmo em um mundo, acordo em outro completamente transformado sem piscar os olhos. Na virada dos números ou no deslizar dos ponteiros basta uma frase concluída com a devida pontuação e tudo muda. É a dinâmica da realidade, a realização dos objetivos propostos. Estranho olhar para trás e não ver nada conveniente ao agora, apesar de ser tudo como sempre foi. Incrível define a passagem do minuto seguinte. Depressa demais os sabores e as idéias se formam no palato, e já crescem, e já somem, e já são lenda, e já são outra coisa. A vida é doce, depressa demais. A velocidade é diva. A coragem que me foi dada de presente me ergueu ao novo batente, sem que eu me desse conta, degrau soberano de concreto e não de nuvem, meu futuro finalmente desenrolado e desvelado para compor quem eu sou, além da Filosofia, além das Letras. Vem algo mais agora. O nó do laço. E no próximo minuto, e no outro, e no seguinte, vem sempre mais. E então não contenho a risada de ansiedade, tudo novo.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
outofspace
Senta num banco de praça como se conhecesse tudo do mundo, rasga o papel da bala e rascunha um pensamento vago, fala da hora, da chuva que molhou os pés, solicita atenção e relembra uma notícia. Tudo tão recente e ao mesmo tempo tão antigo, e é como se eu não estivesse ali, e é como se eu não fosse, como quem nunca foi, jamais existi - nada daquilo é verdadeiro. Nem estou lá. Nunca nos conhecemos. Há profundidade em outro tom de azul, não nesse.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
21 de Abril
No dia em que se comemora a Liberdade como entidade, transpõem-se o sim e o não. Lembranças são reformuladas como páginas de um álbum, embora as fisionomias já tenham mudado ao longo dos dias. Um sorriso num canto do rosto, uma lágrima no lado oposto. Memórias de anos dourados - misturam-se ao gelo, oscilando como extremos. O velho caleidoscópio de sentimentos desnorteia, metodicamente, o equilíbrio da racionalidade, tanto quanto a ventania forte que se deu ao amanhecer. Voou o cabelo, misturaram-se as interjeições. Há de se limpar a poeira, há de lidar com os vestígios. Inevitavelmente, tudo beirou o sensível, a sinestesia misteriosamente encheu-se de velhos cheiros, a saudade se assumiu presente e fez frio, muito frio. Confrontei a vulnerabilidade. Quando o um uniu-se em dois, em toda a sua dimensão de paradoxo, dividiu-se o dilema de dar um passo à frente e 5 para atrás. Anos concorrendo com meses - vidas contrárias que quiçá já não se encontrem e laços de cetim que jamais se desfizeram. Muita saudade. Um trago, uma dose, recordações e muita serenidade. Tudo que vai, leva consigo uma razão que se justifique. Tudo que fica tem um porquê. E aquilo que volta, há de voltar por si. A minha crença se baseia na propriedade - aquilo que nos é dado, ao longo do nosso percurso, levamos com a gente. O que não for, deixamos no meio do caminho. Serenidade é a chave da nova porta. Saudade é o que tenho pra hoje, como rima.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
I am the mask you wear
As decisões e suas conseguintes atitudes definem o homem tanto quanto suas roupas, sua voz, seu cheiro, seus traços, suas idéias. A falta delas é um grande problema. A deficiência das mesmas - o meio termo - torna as coisas mais difíceis ainda. A eterna espera do bom funcionamento do Outro vai além do sustentável, resta o abstrair. Faltam atitudes, sobram espera e adiamento. E assim engolem mosca sem que a culpa seja nossa. O ser humano veio ao mundo com todas as ferramentas, exceto aquela mais necessária - a concepção e absorção da existência - e permanência - do Outro, seu semelhante. Hoje, eu roubaria toda a misantropia do mundo só para mim. E doaria coragem a quase todos.
Somos monstros enrustidos em faces de traços finos. Seres irreconhecíveis da mesma espécie, mais, e sempre, do mesmo, habitando uma completa e interminável Torre de Babel. As vozes que não se cruzam, os sons que não se decodificam, senhas e signos jamais decifrados. Estranhos da mesma coisa, do mesmo lugar, do mesmo destino. Poeira que não reconhece poeira. O tempo passa e viramos história.
No mais, atendo o celular e reconheço a voz de sempre.
Se isso já basta, eu não sei, mas chego a desconfiar que já é um grande bom indício de civilização...
terça-feira, 17 de abril de 2012
always there
You walk into the room
With your pencil in your hand
You see somebody naked
And you say, "Who is that man?"
You try so hard
But you don't understand
Just what you'll say
When you get home
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
With your pencil in your hand
You see somebody naked
And you say, "Who is that man?"
You try so hard
But you don't understand
Just what you'll say
When you get home
Because something is happening here
But you don't know what it is
Do you, Mister Jones?
quinta-feira, 12 de abril de 2012
The pattern of moonlight on the bedroom floor is a cold fire
Se me bate à porta e ressuscita as aspas, se me cheira a aura e me diz sobre o vento, se me olha nos olhos e não contesta a maldade dos outros, recebo o buquê de saudades vermelhas, aceito o frapê de café, meu favorito, como também a surpresa da passagem. A fantasia é a mais real das suposições. A amizade é o triunfo dos discernidores. Corrente e vínculo - coisas que se transformam. Tudo tão cíclico, mas tão imprevisível. E tudo onírico, se pararmos para pensar. Apreensiva e ponderada, trago, trago, trago – e não sei para quê inventaram o pudor, mas sei que os vícios se fazem, ano após ano. Os retratos trarão a serenidade que procrastinarmos, pois somos humanos, mas não precisamos da angústia. Empresto-lhe o sim e entrego-lhe um sorriso de afeto, compartilhando minhas raras horas de sono, não é época de nada, mas é tempo de brisa. As coisas se transformam, brindemos, e essa é a certeza vaga que aprendemos ao longo da vida. Há carinho para todo o sempre, basta cultivarmos. A compreensão depende de dois pólos, um que liga, outro que recebe. Na vulgata filosófica, Heráclito é o pensador do "tudo flui" e do fogo, que seria o elemento do qual deriva tudo que nos circunda. E eu concordo. Ligo o som e vou com calma, porque é hora do rush.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
ch ch ch changes
Eu mudo o rio, mudo de planeta, mudo a estrada e mudo o sentido. Mudo minhas dúvidas, mudo as certezas, mudo o conhecimento e mudo os compromissos. Mudo de nível, mudo os ares, mudo de opinião e mudo a frequência. Mudo de país e mudo sem piscar. Mudo a trilha, mudo o tempero, mudo as cores e mudo os móveis de lugar. Mudo as teses, mudo de formação, mudo a metodologia, mudo os critérios. Mudo junto com as mudanças, mas não muda a minha felicidade.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
thosefantasiesofmistakes
Tentar ser o que não é – por dentro, por fora - é a perda de tempo dos tolos. Viver o que não lhes pertence. Máscaras que não duram, formas que não se encaixam, tons que não realçam, timbres que não penetram os sentidos. Valores que não enobrecem. Pessoas que desperdiçam os minutos, na busca de algo que jamais virá - a superficialidade do amanhã, incerto e sem propósito, se o agora é tão pesado, tão complexo e tão palpável. Há de ter tempo para digerir. Seja perto ou longe, buscar para si aquilo que não convém é assinar a própria carta de escravidão, quiçá de ignorância, ao invés da alforria de ser livre dos próprios pudores e principalmente das próprias falsas esperanças. Os falsos desejos escravizam. A liberdade que caracteriza o autoconhecimento, embora paradoxalmente um pesar, é imensurável.
Tenho gosto de café com leite na boca, mas não me esqueço do amargo das batalhas. Tenho completo tesão por elas, pois descobri que sou quase imune a qualquer lamento, visto que comemoro cada tropeço mais do que as vitórias. E que são muitas as vitórias... Respeitosamente, deixo para trás o que não quero. Apresento como doação a quem se envaidece com aquilo. Tenho nuvens nos pés e a paz de não carregar comigo qualquer fardo que eu não precise transportar. A cruz que se depara com a nossa força é só e somente aquela que nos acrescenta, nenhum miligrama a mais. Ao invés de buscarem solução, as pessoas buscam mais e mais problemas.
Viver, gozar, sentir, arriscar, bater o pé por razões concretas que mudam totalmente o sentido da viagem – isso sim me definiria.
sexta-feira, 30 de março de 2012
das ewige Gleichgewicht
O sétimo signo do Zodíaco marca a fronteira entre o mundo individual e particular - que começa em Áries e termina em Virgem - e o início da vida na coletividade. Libra simboliza o contato com o outro por meio da fluidez, da justiça e do equilíbrio nas relações, em que mais vale a harmonia do que os dotes da pessoa com a qual se relaciona. Como um signo que marca mudança de estação (cardinal), é um dos que movimentam a vida. Aqui, o movimento é primaveril, no hemisfério sul. Como signo cardinal, prefere viver com movimento e detesta a mesmice.
Libra é um signo mental. Gosta de florescer, fazer arte e equilibrar, daí seu símbolo ser a balança, que procura harmonizar até os elementos mais diversos. Para fazer isso, é preciso julgar e avaliar, mas o libriano teme o julgamento e hesita, pois precisa ser equilibrado e tem medo de se enganar.
Libra identifica a natureza sutil, o meio-termo, a beleza e a justiça, e vem daí sua inspiração nas artes. Este signo sociável procura se realizar por meio de sua relação com as pessoas que o cercam. Jovial, simpático e generoso nas causas que abraça, o libriano é propenso ao acordo. Gracioso e adaptável, ele busca o refinamento, ao contrário do signo que se opõe a ele e lhe é complementar: Áries, a força do eu.
Na saúde, Libra rege os rins, um dos filtros mais importantes do organismo. Doenças relacionadas a estes órgãos implicam no medo, que destrói o equilíbrio desse par, pois Libra pensa o mundo em pares.
Todas as profissões relacionadas com as artes e que possam ser executadas sem competições têm a ver com este signo (Libra é frágil na hora de fazer valer seu ponto de vista). Diplomacia, artes plásticas, música e direito são composições que Libra pode fazer em uma mesma vida, com todo o sucesso.
Sensibilidade e justiça estão entre suas preocupações. O nativo deste signo procura construir uma vida agradável, onde possa se cercar de gente que entende seus valores e sentimentos. Por causa de seu espírito voltado à cooperação e de seu senso inato para a arbitragem, pode tornar-se um advogado de valor, principalmente nos assuntos ligados à cultura, às relações externas e à vara de família.
No amor, Libra resplandece. Muito sensível à beleza, inclusive a física, evita a paixão desenfreada, buscando o equilíbrio. Para isso forma contratos, propõe acordos, atende e é gentil. O libriano quer compromisso e irá fazer de tudo para conseguir isso, mas sempre respeitando seu profundo senso de justiça e igualdade.
Seu elemento é o Ar; suas pedras são a safira, a turquesa e a turmalina rosa e verde; seu metal é o cobre; suas cores são o azul e todos os tons pastéis e profundos, agradáveis ao olhar.
M-E-D-O de quem me conhece tão bem assim. Ponto a ponto.
E é isso.
Ufffffffffsssssssss
Go.
segunda-feira, 26 de março de 2012
run kika run
Das horas passadas, do tempo que voa, das fotos guardadas, do sono adiado, do sorriso embutido... Muita pressa, muita alma, muita vida, e o mundo é uma ilha - a vida é doce, depressa, depressa demais. Não há tempo de revisões, é tudo esboçado e vivido, simultaneamente. Um clichê de esperança. Agradeço a quem? A mim? A Deus? À minha família perfeita? Agradeço a tudo que respira, a tudo que vive - vivo em função disso. Agradeço ao inteligível. Pude engavetar as idéias. Agradeço à metafísica das interrogações. Pude concluir sem etapas. Feliz, feliz, feliz. Ando em passos largos a maratona dos meus sonhos - sou ponto e vírgula. Somente.
domingo, 25 de março de 2012
body, love and soul
"Você nasceu no lar que precisava, vestiu o corpo físico que merecia, mora onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com suas posses, possui os recursos financeiros coerentes com suas necessidades. Nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas, seu ambiente de trabalho é o que você elegeu espontaneamente para a sua realização, teus parentes e amigos são as almas que você mesmo atraiu, com a sua afinidade. Portanto, seu destino está constantemente sob seu controle. Você escolhe, recolhe, elege, atrai, busca, expulsa, modifica tudo aquilo que te rodeia a existência. Seus pensamentos e vontades são a chave de seus atos e atitude... São as fontes de atração e repulsão na sua jornada vivência. Não reclame nem se faça de vítima. Antes de tudo, analise e observe. A mudança está em suas mãos. Reprograme sua meta, busque o bem e viverá melhor."
[ via Espiritismo Kardecista ]
quarta-feira, 7 de março de 2012
bleu
O segredo de tudo, o mistério maior, a razão do alento, se por acaso o doutor não lhe recomenda o tango argentino e se a você, como a mim, não convém a estupidez do ilícito, está em entupir-se de arte, alimentar-se de arte, nutrir-se de arte, deixar-se levar pelas partes e sequências, vogais e cores, deixando que penetrem os timbres, levando-se pelos tons entre acordes, na força do tempo e das vozes.
Doses antes das refeições, antes de dormir, antes de pisar fora da cama, antes de pensar em pensar, antes das vírgulas... e, alimentando-se de nãos, convém aumentar a porção, porque não há tempo a perder, e porque a arte cura a loucura, analgésico da dor de viés, dos ossos dos braços que batem incansavelmente pelas beiradas das portas. Cura a fome, cura a angústia e também a cólera de não sentir-se preenchido. Cicatriza a invisibilidade dos que se sentem sozinhos na multidão. A quina da parede no meu cotovelo. Os choques que necessitam de cor. O vazio. O silêncio.
A arte faz como brinde as letras, os versos, a minha Filosofia, a minha verborragia que, criteriosamente, retiro das prateleiras e trago para dentro de casa, afim de amortecer soluços e saudade das encarnações passadas que mais soam como o ontem. Vejo como o tempo passa.
A arte reinventa. Refecunda. Germina o refazer. Na música, na dúvida, na polissemia e na cor, em poesia ou em prosa, em pensamento ou empiria, a arte me cortou a fatia de adeus, a falta de rima, o excesso de agoras. A arte alimentou meu gosto de morango na boca.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Eleanor Rigby
Minha preferida. A obra que envolve os arquétipos de solidão, do vai-e-vem dos dias, dos encontros dos que olham e não enxergam. Daqueles que se encontram para enterrarem uns aos outros, mas que não estão interligados verdadeiramente. Da retórica vazia de significado, das lembranças arquivadas pela metade. Dos que se observam para julgarem todos os que se contrapõem, mas sem lucro e sem crescimento; usam-se e prosseguem nas trilhas individuais. Falam para ninguém ouvir. E no fim, e tão somente no fim, apenas enterram uns aos outros. Atrás da cortina de mil pessoas há solidão em cada uma delas.
complexodeboneca
voltei ao nomezinho do meu primeiro bloguito, idoso, pioneiro, precursor da verborragia até os tempos atuais, rá
(pegadinha do malandro)
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Quiet is the new loud
Ninguém está imune à pele da hipocrisia, nenhum se salva de provar desse amargo, ora veneno, ora remédio. O amargo que trava a garganta, que entorpece, que desnorteia, que derruba pelas beiradas. Regurgitamos o incompleto do entre-ser. Somos herança de nós mesmos, alimentados pelas próprias vivências, fadados à autofagia da alma, no fim do percurso. Muitos se esquecem disso, da consequência do sim e do não na porta de saída, vomitando o achar e o não-ligar como verbos pioneiriços. É tudo corrida vertiginosa, fonemas cuspidos antes de serem vocábulos, dizeres lançados antes mesmo de serem medidos. Tudo opinião e palavras jogadas ao vento. Sorrisos de pastilhas de hortelã. Somos escravos do momento, das emoções, da utópica razão pura tantas vezes subvertida em surtos de impulsividade, fardo inerente ao homem, esse do eterno "de repente, deu-se", um jogar-se no precipício, o precipitar-se e agir conforme a música, delineando a dança. Na digestão de tudo, a certeza de que na próxima vez não se repetirá o gesto ou o substantivo, estancará em si mesmo o vício do caminho mais fácil, o vício de manterem-se os vícios, acomodados no adiamento das nossas perfeições. Aprende-se. Finge-se. Sobrevive-se. Abastecemos a munição da máscara inquebrável. E lapidamos com a matéria-prima da cíclica hipocrisia. É a culpa e a solução, eterno vínculo dos que ainda evoluem, dos que não estão prontos. E, para que haja equilíbrio, purificamos a face com a felicidade honesta de estampas florais. Sete meses que soaram como anos, é o que todo mundo me diz, e deparei-me no espelho com o ser tão mais feliz no momento em que quebrara a janela para pular do sétimo andar. Confesso que no primeiro segundo esperei o contrário, tal como todo mundo espera, tal como muitos esperaram. Mas ficamos todos nós a ver navios. Acertar nas escolhas e nos erros dos outros não tem preço. E eu encerro a noite com o sopro à vela de cheiros em cima da mesa, trago o Camel que não convém e expulso para longe a rolha do Cabernet, bem gelado, porque é tempo de fogos de artifício e de flores na janela, do lado de dentro da porta e em todos os cantos de fora. Brindando à âncora erguida e ao vasto mar à frente, tenho todos os dias programados de coisa alguma. Surpreendo-me a cada minuto. Cigana de sempre e de tudo, prost! Und gehen wir. O silêncio é o mais novo barulho, intertextualizado, intermusicalizado, interpelado. Estrelas nos olhos, asas nas costas, vento no rosto, sol nos cabelos, sapatinhos vermelhos e o Blues. A reação é conforme a ação.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
luftschloss
Meu luftschloss pelo ar ficou, subiu às nuvens e nunca mais foi visto, e tudo aqui embaixo tornou-se tão pequeno quanto aquilo que em mim não vive. A distância nada mais é do que amiga, leva para longe tudo o que pedimos em oração - livrai-me de todo o mal, amém. Reinamos nossas vidas, ora como mestres, ora como o maior dos aprendizes. O esquecimento escolhe as lacunas para então se firmar, mesmo que não precise apagar as lembranças. Tudo perfeitamente acontece.
Abri a janela, permiti que atravessasse o vento mais forte da temporada. Levou papéis, cartas, flores, poeiras, levou os discos e deixou espaço nas gavetas. Deixou tudo de concreto no mesmo lugar. Brindei. E o nosso segredo ali está, nem dentro, nem fora. Está em tudo. Se vem à tona, não ligo.
O chão se abriu, bem diante dos meus olhos. Abriram-se também o tempo, mestre dos por quês, as horas, mucamas da angústia, os minutos, inimigos da consternação. Cegueira, mudez. Nua de armadura. Composta por não-quereres. Ouço trovões, mas não chove. Chove e, quando de fato chove, faz silêncio. Vejo paradoxos refletidos. Barulho no abismo, ecos no silêncio. Sinestesia. Tudo branco. Tudo azul. Joguei-me no mar. Flutuei, acordei, ancorei em hiato.
domingo, 8 de janeiro de 2012
we made our clouds
Antes que me ultrapassem os cientistas e pensadores desse espaço, de onde vem esses desenhos das nuvens que tanto se encaixam em meus planos? Que forma tem a minha completude senão aquela que enxergo através das altas massas no tecido azul acima da minha cabeça?
Tendo forma, tem cor. E não demora muito para que lhe apropriem cheiro, voz, pensamento, vontades. Não tem nome porque em tudo habita. Não tem limites, cabe no todo.
Totalmente preenchida de vontades - Toda trabalhada na sinestesia e na admiração das novas etapas.
Frio na barriga e olhos bem fechados...
sábado, 31 de dezembro de 2011
Die Zukunft liegt vor uns
Conjugam-se a partir de então verbos de novo ciclo, de novas datas, de novos planos, de novidades e de concretizações. Sempre as portas se fecham para que adentremos novos espaços, e é certo que quando algo já se esvazia, é prova de que lá na frente vem outro copo cheio para brindarmos aos sonhos frescos. Grata demais por tudo o que passei, satisfeita por ter firmado os pés nas minhas convicções e por ter sorrido em cada segundo de aula-da-vida. Tô mais 'grandinha'..., e cada um de nós, e é disso que temos que lembrar na despedida de um ano já concluído. Feliiiizz ano novo!!
-
"Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver."
[Carlos Drummond em: O amor natural]
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
drei, zwei, eins, los
Um braço aberto em cada hemisfério, cada pé firmando terreno vasto - malas prontas desde antes de nascer, restando só engolir a saliva e o fôlego, mas esses tanto se demoram quanto a minha história encerrada. As palavras buscando predicado em locuções adjetivas, verbais, prepositivas, e por aí vai - 3, 2, 1, los, tá na hora de virar a esquina de mais uma coisinha ali, was kann ich tun?
Muito amarguinho doce pro meu paladar.
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