sábado, 29 de outubro de 2011
badlovestrangesmoke
terça-feira, 25 de outubro de 2011
neues Parfüm
(Clarice Lispector, "A Bela e a Fera, p.46-47).
Ré mal sucedida numa rua sem saída
"a estrela cadente / me caiu ainda quente / na palma da mão...."
[Leminski]
domingo, 23 de outubro de 2011
O clichê do "tô em outra" - estrada...
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
A Saudade - quod me nutrit me destruit
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Dasein
Leveza nas costas, leveza no olhar, leveza nas palavras. Leveza nas mãos. Medo. Ansiedade. Alívio. Desabafo. Suor. Sorriso. Missão cumprida. Penso que já fui, mas ainda estou aqui. Sinto medo, mas antes já havia me servido de coragem. Tendo feito o que tinha que ser feito, tendo sussurrado o que tinha que sussurrar, colho sementes de novas colheitas, amanhã é tão perto que, mesmo que demore a chegar, é meu de direito. É melhor correr o risco ao expressar o que sinto a calar e viver o de sempre. Sinto e não sinto pressa. Debaixo do tapete, encontrei a chave, abri a porta – mereço mais. Não existe metade das coisas. Ninguém pode me cobrir de negro. Não aceito meio copo, meia palavra. Meio olhar, meia devoção. Não sou do tipo que é posta no ombro, cantarola sons de papagaio e finge não existir. Tenho sangue, tenho pele, tenho voz e tenho timbre. Não me apaguem o sol que já me é de direito...
Clichês. Olhar para trás e não se arrepender. Viver tudo de novo. Saber a hora certa de agir, de novo. Ter boas lembranças. Cultivar o carinho das coisas boas, do lado bom da coisa. Nada acontece por acaso. Aprendemos em tudo, com tudo. Ser sincera acima de qualquer medo. Se eu não for comigo e com os outros, como esperar que sejam em retribuição? Melhor dizer como se sente a guardar aflições por medo de apontar os defeitos dos outros. Triste de quem não aprende, triste de quem não dá o braço a torcer. O espelho é o melhor amigo do futuro bem vivido.
À sombra do mundo erradomurmuraste um protesto tímido.
Mas, virão outros."
[Carlos Drummond de Andrade]
terça-feira, 4 de outubro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
"Temos a arte para não morrer da verdade."
sábado, 17 de setembro de 2011
meus ombros já não suportam o mundo

They'll send an S.O.S to you

Ao passear pela noite, vejo mil faces em diferentes cores. Vejo os mesmos autores e suas obras (as do verbo obrar, e não as do verbo criar). Vejo as mesmas retóricas vazias de significado. São todos personagens fictícios. Vejo maridinhos mimados traindo as suas grandes mulheres. Vejo garotas com complexos de Édipo mal resolvidos, e chego a jurar que não têm mãe nem pai, desejando os de compromisso e contradizendo a própria vontade de quererem algo fixo para si, brindando assim à contradição, a ignorância de si próprias. Vejo homens sem pudores, e até diria sem escrúpulos e sem culhões, desmerecendo o respeito que algumas enfim conquistam e desejando aquilo que não lhes é de direito. Usam como perfume - ou como ausência dele - o desrespeito. Vejo, também, pessoas aquém, semeadoras da discórdia, dos boatos e da malícia, porque a doença mental que é a mediocridade lhes tomou todas as outras prioridades na vida, e acredito que falta sexo nas suas rotinas, gastando o tempo para falar dos outros e para pescar maus comentários. São vespas bêbadas. Também vejo almas encalhadas nas próprias angústias em solidão, desesperadas em levarem para casa algo de mais interessante do que a própria existência, arquétipos empestados de complexos narcísicos, obcecados por se vangloriarem na adversidade refletida nos outros, jurando a inveja alheia e a cobiça de suas vidas medíocres, tão fedorentas debaixo do tapete. Vejo também aquele marido de liberdade enrustida que, no momento em que é solto, confessa o seu viver de aparências, e não conte a ninguém pelo amor de Deus, já mudei de idéia, tem a prole, e deixa eu voltar para casa para sorrir e calar, porque fui bem criado e honro minhas responsabilidades.
Garrafas, canudos e copos. DRINK ME, diria o rótulo. Beba-me. Obedece aquela alma de curiosidade e fraqueza. Em que mundo você vive, Alice? Não há mundo, não há chão, há vazio, na vida e nos pensamentos. Nada perdura. O clichê do efêmero com gelo e limão, ou não. Beba-me - e você cresce, você diminui, você some. Jamais permanecerá como era. Transforma-se. Muda à medida que molha a garganta, rega as idéias. Uma personagem que lhe afasta da verdadeira persona. Outra maneira de ser outra pessoa. Máscaras. Um vir-a-ser, uma mutação. Um sendo, enquanto durar a porção. Um ser aquilo que não é.
São cenas de um cotidiano corrupto, moribundo, mundano – o do mundo - , escarro dos bons, solitários à beira do abismo, em busca de álcool que limpe as feridas, que esterilize a agonia do fracasso. O que cheira a podre em perfumes caros. A ignorância em trajes de gala, autoconhecimento comprado em cigarreiras. A angústia anunciada. Pessoas e suas garrafas numa versão mais subterrânea de Message in a Bottle, com suas mensagens digeridas entre goles e gritos, quiçá pedidos de socorro, um “tirem-me daqui” que jamais é ouvido – há peso demais e a mensagem só afunda. Eixos mareados nas águas salgadas ou amargas do imperfeito, à espera de alguém que supere o abismo de abrir a rolha e traduzir uma alma. Uma babel das mesmas dores, do mesmo tédio, das mesmas rotinas, do velho museu de novas feridas. Eu? Você? Nós sobrevivemos.
[Schopenhauer diria: A vida oscila como um pêndulo entre a ansiedade e o tédio. Contanto que ele não generalize, eu acabo por concordar.]
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
a lot of keys and 6 hands.

sábado, 27 de agosto de 2011
"ao meu jeito eu vou fazer..." - a sempre feliz.

O fio de esperança fia-se no escrever. Esperança de não me esquecer.

Sou aquela que já não tem tempo pra mais nada. A cigarra que consegue ser formiga. Cronometra os minutos de arrumar a casa, antes da maratona de aulas e afazeres. Sou a que valoriza cada partícula de acontecimento do dia-a-dia, a partir de agora. Um gole d’água, compras no supermercado, aula de alemão, um filme na cama. O que for. Sou a única pessoa no mundo que só gosta de tomar banho no escuro, com música, a água bem quente. Sou a única pessoa no mundo que só faz reclamar de tudo, uma chata em potencial. Sou a única pessoa no mundo que se vicia MUITO em água com gás, gelo e limão, e o resto é resto, na medida do possível. Sou a única que tem o coração de geléia, sente rancor mas deseja o bem das pessoas. Sorrir não dói, fica a dica. Sou a única pessoa no mundo que, movida por um dicotômico e recente desvelamento, passa longe dos padrões de mulherzinha. A incompreendida. A que não é amélia. A que, se exausta, tem o marido que também varre, lava louça, lava banheiro, cozinha maravilhas, faz massagens. A que tem megalomania nas leituras. A que engole palavras. A que não fala alto. A que fala baixo, muito baixo. A que não consegue ser falsa. A que odeia retórica vazia de significado. A que arqueia muito as sobrancelhas, a que espreme os olhos porque os óculos não ficaram prontos, a que é sempre sisuda, a do sorriso de monalisa. A que critica. A cética. A que é sincera demais no que diz, dane-se. Aquela que é o que é, a que se decepciona por conhecer pessoas que preferem o clichê raso e pré-fabricado, hermeticamente igual. A que se deslumbra com as pessoas inquietantes nas excentricidades. A que não suporta a metade das coisas. A que quer tudo. A que adentra as entranhas. A que antipatiza a prepotência alheia. A que, narcisicamente, escreve besteiras.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
o moralista que tudo vê
"Minhas peças têm um moralismo agressivo. Nos meus textos, o desejo é triste, a volúpia é trágica e o crime é o próprio inferno. O espectador vai para casa apavorado com todos os seus pecados passados, presentes e futuros. Numa época em que a maioria se comporta sexualmente como vira-latas, eu transformo um simples beijo numa abjeção eterna.".~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
"Manuel Bandeira chegou pra mim um dia, quando eu e meus personagens éramos odiados, e disse:' Nelson, por que você não faz uma peça em que os personagens sejam assim como todo mundo?' Eu respondi da forma mais singela: 'Mas meu caro Bandeira, meus personagens são como todo mundo.' Porque uma coisa é verdade: quem metia ou mete o pau no meu teatro está procedendo como um Narciso às avessas, cuspindo na própria imagem."
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“A ficção para ser purificadora precisa ser atroz. O personagem é vil para que não o sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de todos nós.”;
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....E esse é o moralista que nos cala antes mesmo de pensarmos em fazer o erro. Nelson Rodrigues, desvelado em uma ótima palestra com o fantástico Prof. Roberto Machado, esta noite. Volto para casa sentindo falta de óculos, mas a engolir toda e qualquer peça possível.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
claro e transparente como o sorriso que você julga me dar.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
que sempre voem as nossas asas do saber e do ser.
"Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer."
[Carlos Drummond de Andrade]
(...nada mais metafísico...sempre, sempre choro.)
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Homenagem ao meu filho LINDO que, neste dia 11, completa quatro aninhos de muita, mas muita gostosura, alegria e perspicácia. Você, filho meu, representa em seus quatro anos toda a minha ETERNIDADE de sentimentos e de aprendizado. SEJA. E seja MUITO feliz, da maneira que quiser, da maneira que for.
Lindo, lindo, lindo. Metafisiquemos..., seja, e assim exista. TE AMO.
*chorando...*
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
na paz mais incrível que existe - a interior.
zu leben - zu lernen












