O recurso patético ao proparoxítono humorístico ou sarcástico ou satírico

O recurso patético ao proparoxítono humorístico ou sarcástico ou satírico

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

change my world oder nicht

Words are flowing out like endless rain into a paper cup,
They slither wildly as they slip away across the universe.
Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my opened mind,
Possessing and caressing me.

Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.

Images of broken light which dance before me like a million eyes,
They call me on and on across the universe.
Thoughts meander like a restless wind inside a letter box,
They tumble blindly as they make their way across the universe...

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Guten Tag! Glücklich!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ser é pensar.


"O filósofo busca ressoar em si mesmo o clangor total do mundo e, de si mesmo, expô-lo em conceitos; enquanto é contemplativo como o artista plástico, compassivo como o religioso, à espreita de fins e causalidades como o homem de ciência, enquanto se sente dilatar-se até a dimensão do macrocosmo, conserva a lucidez para considerar-se friamente como o reflexo do mundo, essa lucidez que tem o artista dramático quando se transforma em outros corpos, fala a partir destes e, contudo, sabe projetar essa transformação para o exterior, em versos escritos. O que é o verso para o poeta, aqui, é para o filósofo o pensar dialético."

(Friedrich Nietzsche)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ein Buch mit sieben Siegeln


"O tempo revela o charme das coisas sem charme. É por isso que o tempo é poeta."
Vladimir Jankélévitch

Entre os outros e você


Entre um rosto e um retrato
O real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez
Entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês
Entre a verdade e o rock inglês
Entre os outros e vocês

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre mortos e feridos
Entre gritos e gemidos
A mentira e a verdade
A solidão e a cidade
Entre um copo e outro da mesma bebida
Entre tantos corpos
Com a mesma ferida

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão
Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Entre americanos e soviéticos
Gregos e troianos *
Entra ano e sai ano
Sempre os mesmos planos
Entre a minha boca e a tua
Há tanto tempo, há tantos planos
Mas eu nunca sei pra onde vamos

Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão
Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
Que não passa por aqui
Que não passa de ilusão

Eu me sinto um estrangeiro...

Entre a crença e os fiéis
Entre os dedos e os anéis...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Leben ist immer eine enge Anruf


...Um dia ele leu minha mão e me disse grandes verdades, as mais essenciais possíveis. Decifrou meu destino em menos de três linhas na palma da mão, em menos de cinco segundos. Nunca me esquecerei daquela frase...

...Como também nunca sumirá da minha memória o cheiro do incenso no Natal.

Pessoas que marcam nossa infância jamais deixarão de ser importantes. Elas sempre terão um lugar especial nas lembranças.
Haverá sempre um adeus...
Bis bald, seu Tota.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Não se possui o que não se compreende.


"A mais nobre alegria dos homens que pensam é haverem explorado o concebível e reverenciarem em paz o incognoscível."

[Johann Goethe]

domingo, 5 de setembro de 2010

Ohne Musik wäre das Leben ein Irrtum


Sem música a vida seria um erro. Ai, se não fossem os gênios...! Não sei o que seria da minha vida sem música. Nem da sua, nem da dele, nem da nossa. Acho que no meu caminho ter cruzado com alguém do ramo pode ter sido algo que cheira a destino..., ou coincidência, ou ironia, ou algo parecido, ou não. Mas sei que a música rega e inspira. Traduz e define. Resume, limita sem delimitar. Sem limites. Atravessa alma, pensamento, tempo e história. Daqui a vinte anos meu filho ouvirá pela voz do gênio (e de tantos outros) muitas verdades que não teriam a mesma intensidade se ditas em uma conversa normal, ou se apreendidas no cotidiano. Música é o complemento daquilo que chamamos de vida. É o tempero da comida. É o que define cada um como único, na totalidade de uma só melodia. É o todo individualizando, subjetivamente - cada um possui sua interpretação. Cada um sente à sua maneira uma única coisa. E isso é incrível, é surreal - numa só idéia existem tantas particularidades...! É o imortal, o infinito. O eterno. São palavras que possuem total poder sobre nossas idéias. É um meio no qual portas se abrem, deixando entrar filosofia, poesia, literatura, história (é só ouvir Chico, por exemplo, para entender). Como em uma obra de arte, as notas são unidas em perfeita sequência, para então no resultado final a gente eternizar a idéia. É a prova de que duas pessoas não precisam se conhecer intensamente para que uma consiga sentir o que a outra expressou, e nem expressar aquilo que o outro precisa sentir. Ainda assim, de maneira fantástica, elas se completam.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Wünschen


"Suficientemente feliz é quem ainda tem algo a desejar, pelo qual se empenha, pois assim o jogo da passagem contínua entre o desejo e a satisfação e entre esta e um novo desejo — cujo transcurso, quando é rápido, se chama felicidade, e quando é lento se chama sofrimento — é mantido, evitando-se aquela lassidão que se mostra como tédio terrível, paralisante, apatia cinza sem objeto definido, langor mortífero."
(Arthur Schopenhauer)

Não neguemos essa nossa característica de "seres de desejo".

Noli me tangere, pero no mucho


É uma rotina da qual não dá para se desvencilhar. É o hábito, a moradia, a educação. São situações nas quais nos mostramos as pessoas mais pacientes do mundo, ao empurrarmos com a barriga, ao convivermos com o imperfeito.

São oito andares, quatro apartamentos por bloco. Centenas de pessoas vivem ali. Centenas de pessoas que se encontram no mesmo elevador e fingem que não se enxergam. Respiram o mesmo ar, compartilham o mesmo porteiro, o mesmo endereço, o mesmo ambiente. São pessoas que se encontram no mesmo elevador, várias vezes ao dia. Em um espaço tão pequeno e tão sujeito à troca de palavras, me deparo com o inesperado. Essas pessoas, tão cúmplices geograficamente e tão distantes em emoção e sintonia..., não dão bom dia nem boa noite. Quando insistimos em requisitá-los, respondem educadamente, mas com expressões faciais que demonstram o quanto aquilo é sacrificante. É o “bom dia” que não corresponde à manifestação facial que o acompanha. Esquecem-se do propósito da palavra “vizinho”. As pessoas são estranhas.

A diretora anciã do colégio onde meu filho estuda não me olha com bons olhos. Isso se deu desde o primeiro contato. Ou foi impressão minha, ou a senhora não simpatizou comigo... Dizem que ela é assim mesmo, mas eu não me conformo. É sisuda. Não olha nos olhos. Não dá boa tarde. Tenho a impressão de que ela sempre faz cara feia quando minha tatuagem do braço fica à mostra, muito embora eu me vista como uma pessoa normal, tenha hábitos normais e boa educação. Não me cumprimenta, diariamente. Franze a testa quando meu marido vai deixar nosso filho na aula, acho que por suas argolas nas orelhas e sua tatuagem no braço, embora ele seja o único pai que freqüente aquele ambiente diariamente, sendo zeloso e coruja (acho inclusive que somos um dos poucos do grupo “casal de casados”, entre os pais). Chama-me de “mocinha”, e interpreto o tom de voz como quem se incomoda com minha idade e com o fato de eu ter sido mãe muito jovem (e me dá vontade de, na primeira ofensa, responder: na sua época as mulheres não casavam com 17 anos?). Acho que ela não crê na nossa experiência como bons pais, pois sempre questiona e critica tudo nas reuniões de pais, embora façamos as mesmas coisas que todos os outros, muitas vezes melhor. Meu filho é o único da salinha dele que leva para o lanche beterraba, cenoura, alface e rúcula (sim, ele gosta!), banana, maçã, uva. Se não for o único, é um dos poucos. Foi o precursor desse hábito entre os amiguinhos, creio eu. Não sei qual é o problema dela. As pessoas são ultrapassadas. As pessoas nunca se satisfazem com quem somos.

Moro no sétimo andar do bloco F. No quarto andar - do bloco vizinho - vive um casal que sempre nos acorda com o barulho das suas transas. São gritos incontidos, palavras sujas gritadas, tapas e penetrações escandalosas, numa acústica horrorosa que nos dá a impressão de que estão transando no nosso quarto (Chego a pensar que de lá de baixo eles ouvem a mesma coisa, vinda daqui de cima, e por isso se vingam). Apesar de já termos reclamado, eles continuam na mesma chateação. As pessoas não têm senso de coletividade.

No dia seguinte, encontro o mesmo casal (pertencente ao grupo “dos que habitam o mesmo espaço”) no elevador, que se desagrada com o “bom dia”, com cara de “não perturbe”. Irônico. No dia seguinte, encontro a mesma diretora quando vou ao colégio para pagar a mensalidade do meu filho e para conversar sobre alguma atividade escolar. E ainda assim, não sei por qual razão, ela faz questão de não ser cortês.

As pessoas querem conviver num mesmo espaço, mas não querem ter o trabalho de exercer a boa comunicação. Temos a obrigação do convívio com estranhos, mas ainda assim não se esforçam para que o convívio seja agradável.

No dia seguinte, e sempre haverá um dia seguinte, o convívio com quem não nos agrada será sempre destinado a acontecer. No dia seguinte ligaremos a TV para ouvir as noticias das quais não fazemos questão de saber, assistiremos a programas dos quais não gostamos, mas que nos são empurrados, dia após dia; no dia seguinte, sempre naquele dia em que queremos tanto acordar, passaremos por coisas boas, mas sempre rodeados por inúmeras outras coisas, aquelas que não são como queremos, mas são como precisam ser. É por isso que existem as dicotomias, os paradoxos. O bem, o mal, o bom o ruim. O blá, e o blá blá.

Gostar das pessoas é um árduo sacrifício, caro amigo. Exige um esforço meu, mas também seu. Por sorte, temos o direito de escolher aquelas que nos fazem bem, em meio a todas com as quais convivemos. Por sorte, as pessoas de boa estima são muitas. Por sorte, e sem fazer questão de que gostem de mim em retribuição, eu fiz minhas muitas escolhas.

Ao fundo, sem parecer piegas: IMAGINE.

"É sério, mas é surrealista."



O mais novo mimo da estante tem para mim o valor de uma herança. Paixão compartilhada com alguém que não está mais aqui, mas que fez jus à minha crença de que a melhor herança que você pode receber da sua família é a cultura, literalmente. Vô Oliveira. Muitas saudades. Lembrarei de você em cada livro relido, em cada frase escrita por alguém tão magnífico quanto ele, e absorvida por um ser tão grandioso como você.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Der Frühling wird kommen in der nächsten Sekunde


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.



Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sem egipcismo, sem véus.


Götzen-Dämmerung oder Wie man mit dem Hammer philosophiert (ou em português: Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo) - esta é a minha recomendação de início da semana. É onde estarei nos próximos dias, dentro da aula ou fora dela. Cheio do sarcasmo e do "rabugentismo" do Nietzsche (a começar pelo título, fazendo referência ao título de uma ópera de Wagner, Crepúsculo dos deuses). Hunf!...Cheio de críticas e oportunidades de tirarmos o véu das idéias. Um prato cheio para se apaixonar mais ainda pela Filosofia. No título, a palavra "martelo" poderia ser interpretada como marreta, para "destroçar" os ídolos, mas também como diapasão, para, ao tocar as estátuas dos ídolos, comprovar que são ocos. Mas também poderia servir como lupa, lentes, lamparinas..., algo que nos fizesse enxergar mais a fundo as idéias e aquilo que os filósofos nos falam. É como o texto já se inicia, logo de cara: provocando o que antes era inércia, estagnação filosófica. Estou apaixonada. 

* ÓBVIO E EVIDENTE que tais ídolos ali citados não se tratam de ex-BBBs ou astros da televisão, viu? Ai, ai... 

No mais... Fica a dica.


Aposto que você vai adquirir também... ;)

sábado, 28 de agosto de 2010

Mickey und uns


Tudo pronto. É amanhã. Semana corrida e trabalhosa, mas que valerá a pena em um domingo só. Gordinho mais lindo do mundo na sua mickeylândia, com papai e mamãe corujando... porque ele merece e sempre merecerá. Amo.

Terminando de enrolar os últimos brigadeiros de morango. Porque o buffet nunca faz o brigadeiro do meu sabor predileto...

Filhotinho comendo um a cada três doces arrumados na bandeja. Mamãe ainda cheia de coisas para fazer. E eu só queria dormir...

Saudade de cultivar super-bobagens aqui. Acho que este é um pseudo vício do qual jamais me desvencilharei... muito embora aconteçam "recessos por falta de tempo", como este. Quem não tem seu ponto fraco de futilidade?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Eu sou um internado num manicômio sem manicômio




Esta Velha

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?
Estala, coração de vidro pintado!

[Álvaro de Campos]

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Se eu estivesse mais feliz, transbordaria. Quase transborda também o êxtase em ler "este" Álvaro de Campos. É quase um deleite para final de noite, depois de um longo dia... Exausta, mas feliz. Estala, coração de vidro pintado.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mut und Liebe gehen Hand in Hand



" ...Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda. O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho e da certeza de que, apesar dos pesares, a gente, a cada dia, se escolheria novamente!..."
(Lya Luft)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Die Maskerade auch liebt


Eu não aparecerei quando tu chamas,
Pois estou já contigo ao teu chamar.
Quando em ti penso, estás dentro de mim,
E tudo é já teu próprio pensar.

Tua presença de ausência se veste
Em teu corpo, onde a alma escondida.
É em minha mente que inteira estás
E é em mim que tu és possuída.

Fora de ti, dado ao espaço e ao tempo
Teu corpo, mero tu, de mim ausente,
Partilha a mudança, o tempo e o lugar,
Pertence a outra lei, de ti diferente.

No meu sonho de ti nada te altera
Em outra, que contigo se compara.
Tua presença corpórea é só a parte
De ti, que a ti de ti separa.

Por isso chama, mas sem me esperares.
Tua voz, ao meu sonho acrescentada,
Juntará mais beleza ao meu pensar
Teu corpo, vivo na mente habitada.

A tua voz ouvida da distância
Mais aproxima tua sonhada presença.
Mais nítida e clara que parecia,
Na minha fantasia fica imensa.

Não chames mais. Tua voz duas vezes
Repetida no espaço verdadeiro,
Quase seria como a realidade.
O segundo som, o eco do primeiro.

Chama uma só vez. E que eu imagine
No segundo apelo, de olhos cerrados,
A visão do teu corpo a cintilar
Na memória visível dos teus brados.

O resto será teu prolongamento,
Olhos fechados p’ra não sentir,
No apelo premente de meu sonho.
Fica longe, calada, mas sem vir,

Pois virias perto de mais à vista
E de meu pensamento irias para ti
Vestindo em mim teu corpo sonhado
(O sonho do teu corpo é infinito)
Com teu limite, o visualizado.

[A Fuga - Fernando Pessoa]

Das Wesentliche ist die Liebe


"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar."
[Machado de Assis]

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ein weiteres Jahr für mein puer aeternus


Escrito em 11 de agosto de 2008

"Foi no dia 11 de agosto de 2007. Foi quando ainda não estava previsto, tal como tudo o que tenho e vivi de mais extraordinário. Veio assim, de forma imprevisível, e foi por isso que beirou o incrível. Sem planejar. Sem prever, sem esperar. Numa manhã rotineira, senti as contrações. Poucas semanas antes do que eu imaginava. E foi assim, no dia 11 de agosto, na véspera do dia dos pais. Há um ano um mundo nasceu. O mundo realmente nasceu. Foi às 18:05h. Foi como a aurora. Foi como o começo do ar, do chão, do céu, de tudo em volta. Foi como se não houvesse nada que antecedesse esse dia. Foi quando o dia chegou. Foi quando ele nasceu.

Foi quando o olhei pela primeira vez e não acreditei. Foi quando eu só sentia, mas não o ouvia. E ali, quando acordada o vi sendo tirado pouco a pouco de dentro de mim, não pude me conter. Eu finalmente conheci a sua voz!, e finalmente reconhecia seus traços, as linhas e formas do seu corpinho vermelho. Foi quando o segurei pela primeira vez, usando a roupinha que por longos meses dobrei e redobrei, esperando sua chegada. Fechei os olhos e me concentrei apenas em sentir o cheiro da sua pele, do seu hálito, do seu pouco cabelo. Toquei e beijei cada dedinho, e a ponta do seu nariz, tão igual ao meu. Nenhuma outra boca tocaria meu seio com tamanha magnitude, com tamanha naturalidade. Foi quando ele acordou, e abriu o olho pela primeira vez. Quis penetrar seu olharzinho como quem quisesse de uma só vez despejar uma eternidade de amor. E eu chorei. Chorei, chorei por longos dias. Não consegui acreditar no que via, tão real e tão inacreditável. Foi quando o coloquei pra dormir pela primeira vez. Foi quando sarei suas cólicas, quando troquei suas fraldas, quando dei o primeiro banho, já no primeiro dia em casa. Foi quando me senti nervosa ao cortar suas unhas tão pequenininhas, pela primeira vez. Foi quando reconheci sua respiração, como se a ouvisse desde sempre. Foi quando ouvi seu primeiro riso, sem motivo, e brinquei, dizendo que ria para o anjinho da guarda. Foi quando passei a ter olheiras e a acordar cedo, para cuidar dele. Foi quando me vi já mais velha e vendo ele me apresentar suas namoradas. Foi quando olhei pro seu pai e o vi também cheio de barba e tatuagens, já adulto. Foi quando já não mais fazia limpeza de pele, spinning ou algo fútil, só para que tivesse tempo para meu filho. Foi quando chorei emocionada só por reconhecer nele os meus traços, meu nariz, meus trejeitos, a mesma posição ao dormir ou ao sentar. Foi quando me identifiquei com amigas que também são mães, e hoje em dia são minha inspiração, fruto de aprendizado. Foi quando me esqueci de pentear os cabelos, ou quando me preocupei com a temperatura do ambiente, foi quando me importei com o barulho em volta – e que antes eu não ouvia -, foi quando me importei com “mau olhado”. Foi quando me preocupei em passar pano no chão da casa todos os dias. Foi quando senti seu cheirinho de bebê em qualquer lugar que eu fosse. Foi quando passei a levar comigo, na bolsa, uma meia sua, com seu perfume. Foi quando senti saudades dele, quando fiquei longe por míseros 5 minutos.

Foi quando ele aprendeu a sentar, e quando fez careta ao provar a primeira sopinha. Quando falou “mamãe”, bem antes de aprender a falar qualquer outra coisa. Foi quando aprendeu a bater palminha e a engatinhar pelo chão da casa. Foi quando ele aprendeu a querer, e a dizer “nã” quando não queria alguma coisa. Foi quando inseri na lista de compras papinha, leite ninho, frutas e pomadas. Foi quando aprendi canções de ninar que minha mãe e minha avó cantavam e eu nem me lembrava. Foi quando me preocupei com a violência no mundo, e quando chorei com as noticias ruins do jornal. Foi quando não vivi mais a vida inconseqüentemente, e desejei morrer bem velhinha, só para não perder nada do crescimento do meu filho. Foi quando por inúmeras vezes queimei o almoço no fogo ao me esquecer do mundo, só para olhá-lo no berço. Foi quando perdi e ganhei quilos, ao ocupar meu tempo todinho com ele. Foi quando me esqueci de almoçar ou jantar, só para amamentá-lo. Foi quando ele passou de banguelinha a dentucinho, e quando aprendeu a morder meus dedos, que hoje estão sempre vermelhinhos... Foi quando me curei de cansaço só com sua risada. Foi quando vi meu corpo mudar depois da amamentação e do barrigão e ter certeza que faria tudo de novo, por mais que algo caísse. E foi quando me senti confortada ao ouvir do meu marido: “ta beeem melhor assim!”. Foi quando passei a amar mais meu marido, ao vê-lo se dedicar tanto ao filho, antes de qualquer coisa. Foi quando descobri que meu filho tem cócegas nos mesmos lugares que eu tenho. Foi quando lhe fiz cócegas, só para quebrar o silêncio da casa. E por tantas vezes ele, inocente e sem entender, deslizou suas mãozinhas no meu rosto cheio de lágrimas, quando por muitas vezes precisei chorar e só ele sabia me consolar, olhando e rindo para mim. E as enxugava sem saber, e passava a mãozinha na roupa, fazendo careta. Foi quando ele me fez companhia enquanto o papai saía para trabalhar. Foi quando ele despertou tanto brilho nos olhos do pai, e o fez virar criança de novo. Foi quando ele o fez falar com voz de criança e eu me surpreendi com esse lado coruja dele. Foi quando ele aprendeu a dormir do meu lado, na cama, assistindo TV. Foi quando seu pai ensinou que chocolate é muito bom, mas não pode não, viu?

Foi quando arrumei a bagunça da casa revirada, diariamente, só para que ele pudesse bagunçar de novo, ao engatinhar e descobrir tudo. Foi quando meus livros já não ficavam mais organizados na estante, separados por autor, cor, tamanho. Alguns já não têm mais capa. Foi quando comecei a ter opinião sobre marcas de fralda e lenços umedecidos. Foi quando chorei na sua primeira vacina, com pena da dor. Foi quando me preocupei em tirar objetos perigosos da sala e tapar as tomadas da casa. Foi quando isolei os produtos de limpeza. Foi quando ele aprendeu que celular é bom demais, e que tá na hora de ligar pra vovó Vera. E foi quando aprendeu a desligar, bem na hora que eu estava conversando com ela. Foi quando ele aprendeu a imitar os bichos, a torcer pelo time do pai, a fazer as coreografias, a bater o pezinho quando ouvia rock. Não fiquei um dia sequer sem me deleitar com uma risada gostosa, ao me divertir com suas estripulias inusitadas. Eu não consigo mais esconder meu brilho no olhar.

Há um ano nasceu um filho, nasceu meu filho. Há um ano, nasceu também uma mãe.

Nasceu um pai, nasceram avós, nasceram tias, nasceram sonhos e planos. Nasceram as fraldas empilhadas na cômoda. Nasceu a experiência de amamentar, de dar banho, de dormir pouco e zelar muito. Tudo assim, recém-nascido, com aura de alvorecer. Nesse dia, nasceu a lágrima de emoção. Nasceu o pranto de prazer, tão contraditório e tão sublime.

...E pensar que até pouco tempo atrás eu era só uma menina...

Hoje, trago comigo lembranças e aprendizado de um ano, e medalhas de honra que levarei comigo para toda a vida: minhas estrias e a cicatriz da cesárea. Levarei junto um amor inefável e inesgotável.

E pronuncio duas palavras como sendo o resumo da minha existência: meu filho."


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Hoje ele completa 3 anos. Um bebê crescido, mas para sempre meu bebê. Te amo, pequeno!
Hoje o dia é seu (nota-se, pela bagunça da casa. Unf)!

(meu modelinho PREDILETO. modéstiaapartenaturalmente)

sábado, 7 de agosto de 2010

carpe diem, quam minimum credula postero.


Nessas divagações sub-filosóficas que costumamos ter, parei para pensar no tempo. Cheguei à conclusão de que somos em totalidade seres confusos e contraditórios. Buscamos cada dia mais perseguir nossos sonhos em prol de nos tornarmos mais felizes. Mesmo aqueles que se sentem bem, sempre querem dias melhores, sonhos realizados, planos concretizados. A isso chamo de ambição pessoal. Em contrapartida, não há quem não olhe para trás em algum momento da vida e pense: “como eu era feliz e não sabia...!”. A isso chamo de nostalgia. Ela nos move, mas ao mesmo tempo nos prende. Ainda assim, sou apaixonada por ela. Se pudéssemos ter interferência direta no destino, com certeza traríamos coisas do passado para nosso presente, como uma espécie de “deja vu prático", algo do tipo. Com certeza você também tem vontade de misturar alegrias já sentidas com alegrias de agora. Dentro do meu campo de plenitude momentânea, na minha vida traçada e lapidada até hoje, confesso que gostaria de trazer para o “hoje” coisas já vividas. Aparências, cheiros, vozes, pessoas. Um pouco do sentimento de querer reviver certos momentos da mesma maneira, ou de um modo diferente. Entraria assim no campo “e se tivesse sido diferente?”, como também no “eu poderia ter dado um ‘pause’ para sentir mais aquela experiência”.

É verdade que embora satisfeitos nós não nos satisfazemos com o que temos. O copo nunca estará cheio o suficiente, precisaria de mais uma garrafa. E todos os dias damos goles em busca de esvaziá-lo, para encher com novo licor. Com novos sabores. Tenho até vontade de chorar, a nostalgia mexe muito comigo. Bem como o presente. Sou feliz, mas poderia ser mais, como pude e fui. Inconstância e inconsciente, tão mendigos das sensações, das experiências, da vida.

Eu era feliz e não sabia.
Sei que sou feliz hoje.
Ainda assim, direi amanhã: ontem eu era feliz e n-ã-o sabia.
Então, caro amigo... Carpe Diem, embora isso não seja certeza de nada.

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Saudade do cheirinho de tinta óleo. De colorir telas repletas de pouco talento.
nostálgica até o último fio de cabelo.
PS: já não sou amiga da vírgula. Ela, fica, onde, quiser.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

inércia e combustão


"A necessidade obrigatória de falar e o embaraço de nada ter para falar são duas coisas capazes de tornar ridículo ainda mesmo o maior homem."
[Adoooro Voltaire]

Noite de lasanha do marido. Coca-cola. Brigadeeeeeeeeeiro. Filme. Cara de pau diante dos quilos que perdi - bom enquanto durou. Deu vontade de frapê do habibbs, pão de queijo e cinema.
Última semana de férias.
Ai, minha cabeça. Tanta confusão... Vou ou fico? Fico ou vou? Esqueço ou lembro?
Mudar ou permanecer?
Ser ou não ser?
tsc, tsc...

esses clichês.